Drone do MIT nada debaixo d’água e sai voando como ave
Pesquisadores do MIT, nos Estados Unidos, e da EPFL, na Suíça, criaram um robô que nada debaixo d'água batendo asas e, na hora de sair, rompe a superfície e sai voando — do jeito que fazem algumas aves mergulhadoras. O trabalho foi publicado na revista Science e voltou a circular nesta semana no Brasil.
Como ele funciona
O robô se chama FAAV (sigla em inglês para veículo aéreo-aquático de asas batentes) e pesa menos de 300 gramas. O desenho é simples:
- Um corpo central com bateria e um motor elétrico à prova d'água.
- Duas asas que batem, revestidas com nanopartículas que repelem a água.
- Uma cauda motorizada que controla o ângulo de mergulho e de subida.
O segredo está na asa. Ela é flexível o bastante para dobrar sozinha debaixo d'água, onde a resistência é muito maior, e firme o bastante para sustentar voo no ar. Com isso, os pesquisadores dispensaram mecanismos complicados de dobrar asa, que deixam o robô pesado e frágil.
Os números
- Na água: quase 1 metro por segundo.
- No ar: cerca de 6 metros por segundo.
- Saída da água: o robô empina a cerca de 70 graus para romper a superfície sem que a asa bata na água de novo.
- Sem pés: ao contrário da maioria das aves mergulhadoras, ele decola sem "pedalar" na superfície.
A equipe testou asas de 60, 80 e 100 centímetros de envergadura. A média, de 80 cm, foi a que fez a transição entre água e ar com mais segurança. Os testes começaram num tanque de laboratório e depois foram para o Lago Léman, na Suíça. O projeto é liderado por Raphael Zufferey, professor de engenharia mecânica do MIT.
Para que serve
A ideia é usar robôs assim na ciência do oceano: coletar amostra de água, monitorar proliferação de algas tóxicas, contar cardume de peixe e acompanhar erosão no litoral. Também dá para chegar perto de lugar perigoso para barco e mergulhador, como a base de um iceberg ou um grupo de baleias — gastando uma fração do que custa uma expedição tradicional.
Os próprios autores deixam claro que ainda falta chão. O robô precisa aprender a fazer curva de verdade, e todos os testes até agora foram em água calma. Mar agitado e vento forte são o próximo desafio.
O que isso muda pra você
Hoje ninguém vai comprar um FAAV na loja. Mas a notícia mostra para onde a tecnologia de drone está indo: máquinas que trocam de ambiente, em vez de drones que só voam.
Quem já pilota perto de água sabe o que isso significa. Hoje, drone que cai no rio ou no mar é drone perdido, e filmar dentro d'água exige outro equipamento. Um drone que mergulha, pega a imagem ou a amostra e volta voando abre serviço novo em piscicultura, monitoramento de represa, vistoria de píer e pesquisa ambiental — áreas em que o Brasil, com o litoral e os rios que tem, tem muito trabalho a fazer.
Até isso chegar ao mercado, o conselho continua o mesmo: sobre a água, voe com bateria sobrando, fique longe de vento forte e nunca confie no retorno automático para salvar o drone.
Fontes
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